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Análises

A Conservação Estratégica apoia conservacionistas locais na utilização de ferramentas da economia que os permitam encontrar soluções inteligentes e eficientes para os problemas ambientais mais urgentes. Desde a sua criação, a CSF conduziu dezenas de estudos sobre ambientes florestais, fluviais e costeiros. A maior parte dos nossos projetos é focada nos Trópicos, pois estes apresentam níveis extraordinários de biodiversidade. Para maximizar a influência e a qualidade dos nossos estudos, nós envolvemos profissionais de renome e organizações conservacionistas em todos os projetos.

Estradas e Represas em Madidi Pilón-Lajas, Bolívia

A região Noroeste da Bolívia onde os Andes encontram a planície Amazônica é considerada tanto um rico tesouro natural quanto uma área subdesenvolvida de vazio verde. Em 1995, o governo Boliviano protegeu oficialmente 1,8 milhões de hectares de floresta pluvial, floresta de neblina, floresta decidual rara e um vasto número de espécies animais e plantas, algo virtualmente imbatível entre as reservas naturais mundiais.

A área protegida é chamada de Parque Nacional & Área Natural de Manejo Integrado Madidi, e é adjacente aos 400.000 hectares da Reserva da Biosfera e Território Indígena Pilón-Lajas. Além de sua riqueza natural, essas áreas protegidas são o lar dos povos indígenas Tacana, Tsimane e Moseten. Mas para alguns, essas reservas e seus arredores representam oportunidades econômicas inexploradas, pois contêm terras e recursos naturais que a Bolívia não pode deixar sub desenvolvidos. Esta visão tem direcionado propostas de investimentos em grandes projetos de infraestrutura dentro e ao redor das áreas protegidas de Madidi e Pilón Lajas.

Nesse relatório, A CSF concentrou-se nas três principais propostas de infraestrutura numa tentativa de determinar quais dilemas, se há algum, existem entre o desenvolvimento econômico e a conservação da natureza. Os projetos analisados são: a proposta de uma Represa no Rio Beni, a proposta de uma estrada entre Apolo e Ixiamas, via Tumupasa, e a pavimentação e extensão da estrada de San Buenaventura até a fronteira Peruana em Puerto Heath.

Essa análise não encontrou nenhum benefício econômico nesses projetos, mesmo antes de considerar os custos ambientais.
O investimento na represa Bala tem apenas 11% de probabilidade de ser viável financeiramente e teria no máximo 19% de probabilidade de ser viável economicamente. Seus prejuízos financeiros seriam entre US$ 293 milhões e US$ 1,011 bilhão em termos de valor presente líquido (VPL). A estrada Apolo-Tumupasa produziria um VPL negativo de cerca de US$16 milhões e a estrada de San Buenaventura e Puerto Saúde perderia um adicional de US$ 24,78 milhões. Em termos per capita, a perda total vinda desse conjunto de projetos poderia chegar a US$ 137 para cada cidadão boliviano. Por esta razão, não há dilema entre esses projetos de desenvolvimento e a proteção ambiental: aliás, a Bolívia economizaria dinheiro se deixasse em paz o ecossistema da área de Madidi-Pilón, ou se seguisse planos de desenvolvimento muito diferentes.

Fatores similares são responsáveis pelos resultados negativos em todos esses três estudos de caso. Primeiro, a área Madidi-Pilón Lajas é uma área com baixa população demográfica e acesso muito limitado para os mercados doméstico ou internacional. Como resultado, investimentos em infraestrutura de larga escala não possuem beneficiários ou potencial econômico reprimido suficientes para contra balancear os custos consideráveis. A colonização massiva poderia potencialmente mudar isto, mas a colonização agrícola é desencorajada pelo novo plano de uso da terra para a área devido ao solo pobre, considerações legais e valores ambientais significativos.

Veja Relatório

Duas Estradas e um Lago: análise econômica do desenvolvimento de infra-estrutura na Bacia do Rio Beni