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Análises

A Conservação Estratégica apoia conservacionistas locais na utilização de ferramentas da economia que os permitam encontrar soluções inteligentes e eficientes para os problemas ambientais mais urgentes. Desde a sua criação, a CSF conduziu dezenas de estudos sobre ambientes florestais, fluviais e costeiros. A maior parte dos nossos projetos é focada nos Trópicos, pois estes apresentam níveis extraordinários de biodiversidade. Para maximizar a influência e a qualidade dos nossos estudos, nós envolvemos profissionais de renome e organizações conservacionistas em todos os projetos.

Estrada e Represas na Bacia do Rio Madeira

No presente caso, analisamos projetos de infraestrutura na área de energia e meios de transporte no Rio Madeira, bem como seus efeitos sobre a expansão da produção de soja na respectiva região. Os impactos mais substanciais foram previstos com o resultado de novas estradas, por meio de fortes investimentos que aumentariam ainda mais o cultivo agrícola. Muitas das áreas previstas para os novos plantios são atualmente formadas por florestas naturais e savanas, algumas das quais oficialmente – ainda que escassamente – protegidas.

No momento, o precário sistema de transportes aliado às barreiras naturais, têm mantido a região do Alto Madeira geográfica e economicamente isolada, e consequentemente contribuído para a baixa densidade demográfica, particularmente nos Estados Bolivianos de Beno e Pando. Algumas das estratégias de desenvolvimento para essa área, onde o Brasil, o Peru e a Bolívia se encontram, estão fundamentadas na possibilidade de se acessar os oceanos Atlântico e Pacífico por rio ou através da construção e pavimentação de estradas.

Atualmente, encontram-se em andamento alguns projetos envolvendo a geração de energia e a criação de meios de transportes, a fim de se promover a integração física da amazônia nos territórios do Brasil, Peru e Bolívia. O mega projeto envolvendo a implementação de hidrelétricas e hidrovias no Rio Madeira inclui a construção de duas hidrelétricas – Jirau e Santo Antônio – no território brasileiro, uma terceira estação hidroelétrica entre Abunã (Brasil) e Guayaramerín (Bolívia), e provavelmente uma quarta na cachoeira de Esperanza, no Rio Beni, no território da Bolívia. Esse projeto prevê ainda a construção de eclusas e linhas de transmissões elétricas. De acordo com os promotores do projeto, estes investimentos gerariam energia a preços competitivos e permitiriam a navegação de mais de 4 mil km, atualmente impedidos pela existência de cachoeiras e quedas no Alto Rio Madeira. Outro projeto de infraestrutura planejado entre as três fronteiras - Bolívia, Brasil e Peru - é a pavimentação do Corredor Norte conectando La Paz, Guayaramerín e Cobija na Bolívia.

O presente estudo aborda a previsão de potenciais mudanças devido à expansão da plantação de soja que poderá ocorrer nas regiões do Brasil, Bolívia e Peru, afetadas pela futura implementação dos projetos de infra-estrutura energética e de transportes no rio Madeira. Para analisar os efeitos dos mega projetos de infraestrutura e a redução dos custos no transporte dos grãos de soja, simulamos: 1) a construção das estações hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio (Brasil), Abunã-Guayaramerín (Brasil-Bolívia) e Esperanza (Bolívia); 2) A pavimentação do Corredor Norte (Bolívia), o Corredor Cuiabá-Santarém (Brasil) e a Rodovia Transoceânica (Brasil-Peru). As simulações são baseadas em 12 cenários de infraestruturas alternativas.

Utilizamos um modelo interdisciplinar para estimar a produção dos grãos de soja baseado no clima, solo e variáveis econômicas. Em seguida, utilizamos prognósticos para a produção de soja e a distribuição espacial de seus rendimentos. Os efeitos de novos projetos de infraestrutura de transporte e energia foram tratados pela estimativa do custo de entrega dos grãos de soja no porto de exportação mais próximo de cada cenário proposto, utilizando-se técnicas de análise espacial. Estas simulações nos permitiram acessar variações espaciais da viabilidade econômica da produção de grãos de soja, e em que grau as plantações poderiam ser expandidas, bem como influenciadas por futuros investimentos de infraestrutura bi-nacionais.