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Análises

A Conservação Estratégica apoia conservacionistas locais na utilização de ferramentas da economia que os permitam encontrar soluções inteligentes e eficientes para os problemas ambientais mais urgentes. Desde a sua criação, a CSF conduziu dezenas de estudos sobre ambientes florestais, fluviais e costeiros. A maior parte dos nossos projetos é focada nos Trópicos, pois estes apresentam níveis extraordinários de biodiversidade. Para maximizar a influência e a qualidade dos nossos estudos, nós envolvemos profissionais de renome e organizações conservacionistas em todos os projetos.

Conservação Biocultural na Floresta Amazônica Brasileira: Prevenção do Desmatamento nos Corredores Etnoambientais Karib e Mondé-Kawahiba

Conter a alta pressão de desmatamento na região amazônica brasileira é um grande desafio para povos indígenas, comunidades tradicionais e gestores públicos de Unidade de Conservação (UC). Para enfrentar esta situação e desenvolver uma proteção territorial mais eficiente, é necessário aumentar os recursos e reforçar as capacidades destes grupos.

Neste contexto, a CSF-Brasil participou do projeto "Conservação Biocultural na Floresta Amazônica" cujo objetivo foi de contribuir para o aumento da qualidade de vida de populações locais e a prevenção do desmatamento nos corredores etnoambientais Karib e Mondé-Kawahiba. Estes corredores são formados por UCs e Terras Indígenas (TIs) localizadas nos estados do Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima. Juntos, possuem 46 milhões de hectares em áreas protegidas e representam 20% da Amazônia brasileira.

Nosso objetivo foi de contribuir para o fortalecimento de Atividades Produtivas Sustentáveis (APSs) realizadas pelas comunidades locais para valorizar suas práticas e saberes, gerar renda e conservar o meio ambiente. As APSs são fontes de renda alternativas, realizadas de forma socialmente e culturalmente apropriada ao local de implementação. Especificamente, a CSF-Brasil realizou os seguintes estudos:

1- "Viabilidade econômica de negócios sustentáveis da biodiversidade em áreas protegidas: lições e recomendações". Esta publicação contém indicadores financeiros de sete negócios - extrativismo de castanha-do-brasil, pesca artesanal marinha e de pirarucu, manejo florestal madeireiro e ecoturismo - e recomendações para aumentar sua rentabilidade. Apresentamos nossos resultados em dois eventos, para os povos indígenas e outras organizações não governamentais.

2- "Guia para elaboração participativa de planos de negócios da sociobiodiversidade". Sistematizamos o passo a passo de nossa metodologia para a elaboração de planos de negócio sustentáveis em conjunto com povos indígenas e comunidades tradicionais da região amazônica, visando promover a replicação deste processo por outras instituições que atuam nesta área. Durante o processo de elaboração deste guia, conduzimos uma oficina com representantes destas instituições para coletar suas recomendações e compartilhar conhecimento e estudos de caso sobre APSs.

3- "Plano de negócio sustentável da castanha-do-brasil do povo Paiter Suruí". O objetivo deste plano de negócio foi de apoiar a estruturação da produção e comercialização coletiva da castanha-do-brasil na TI Sete de Setembro do Povo Paiter-Suruí, localizada entre os estados de Mato Grosso e Rondônia. Também fornecemos uma assessoria para a implementação das recomendações propostas em nosso plano de negócios.

4- "Análise de viabilidade de investimentos em alternativas de transporte para produção e comercialização de castanha-do-brasil de duas TI no corredor etnoambiental Mondé-Kahawiba". Neste estudo, analisamos alternativas de transporte e trouxemos recomendações para maior eficiência no escoamento interno da produção da castanha-do-brasil.

O projeto foi conduzido como parte integrante da Iniciativa Corredores da Amazônia (ICA) e contou com o apoio das Fundações Skoll e Avina. Este foi realizado em parceria com Equipe de Conservação da Amazônia (ECAM), Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM), Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé e Associação Metareilá do Povo Indígena Suruí (Gamebey).

Foto: Metade de um ouriço de castanha-do-brasil (Bertholletia Excelsa), coletada pelo Povo Paiter Suruí na TI Sete de Setembro. A comercialização de castanha-do-brasil traz uma importante fonte de renda para este povo.
Crédito da fotografia: Fernanda Preto.