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Turismo sustentável em terras indígenas no Mato Grosso, Brasil

Turismo sustentável em terras indígenas no Mato Grosso, BrasilPedro Gasparinetti, Diretor da CSF-Brasil, Rodrigo Ozorio, consultor da CSF-Brasil, e líderes da aldeia Wazare.

O turismo é visto por algumas comunidades indígenas brasileiras como uma importante potencial fonte de geração de renda. Este pode contribuir para o uso sustentável da terra e a prevenção de outras atividades impactantes em Terras Indígenas (TIs), como a produção de soja e algodão. Diversas comunidades de nativos do Mato Grosso vem se organizando há alguns anos para desenvolver atividades turísticas em seus territórios. A CSF fechou uma parceria com a Operação Amazônia Nativa (OPAN), uma ONG local que trabalha com indígenas há décadas, para avaliar o processo de implementação do turismo em TIs na bacia do rio Juruena.

Turismo sustentável em terras indígenas no Mato Grosso, BrasilPlantação de algodão no Mato Grosso que se estende até o horizonte, na região Amazônica. Photo credit: Marion Le Failler.

O objetivo do nosso trabalho é:
1) Identificar as características da oferta de turismo nestas TIs, bem como os desafios e expectativas dos indígenas e dos operadores de turismo;
2) Conhecer a demanda por turismo em TIs e os fatores que determinam as escolhas dos turistas;
3) Gerar informações para contribuir com as decisões de investimentos dos indígenas, operadores de turismo e outros atores do setor de turismo.

Para iniciar este processo, realizamos uma oficina de dois dias em abril de 2018 que envolveu líderes indígenas, operadores de turismo e funcionários do governo local em uma debate sobre o desenvolvimento de iniciativas de turismo sustentável em TIs locais. No total, tiveram 20 participantes e todos os grupos mostraram grande interesse em nossos resultados futuros.

Turismo sustentável em terras indígenas no Mato Grosso, BrasilRodrigo Ozorio apresentando o objetivo do nosso estudo para os participantes do workshop. Crédito da fotografia: Pedro Gasparinetti.

O evento foi realizado em Sapezal, no Mato Grosso, uma área com uma das maiores taxas de produção de soja do mundo, e onde as TIs desempenham um papel importante na proteção da biodiversidade. Este colocou em contato diferentes tipos de atores locais, permitindo-lhes trocar opiniões sobre oportunidades e gargalos para o desenvolvimento do turismo. Também nos permitiu reunir e validar informações para o desenho do questionário de avaliação da demanda por turismo nas TIs da região.

Turismo sustentável em terras indígenas no Mato Grosso, BrasilLideranças da aldeia Wazare apresentando as atividades turísticas já implementadas em sua TI. Crédito da fotografia: Pedro Gasparinetti.

Entre os participantes estava o Cacique Roni, líder da aldeia Wazare localizada em Campo Novo do Parecis, e pioneiro das atividades de etno-turismo na região. A aldeia da etnia Paresi é formada por um grupo de 40 pessoas que decidiu se separar de uma comunidade maior para se especializar na oferta de experiências tradicionais para os turistas, incluindo cantos, danças, culinária, caça e tiro com arco. A aldeia foi construída há cinco anos atrás e já recebeu turistas de 13 países diferentes. Esta serve de exemplo para outras comunidades também motivadas em implementar o turismo. Durante a oficina, Cacique Roni trouxe importantes considerações sobre o desenvolvimento do turismo, gestão, divisão de recursos entre os membros, investimentos e dificuldades enfrentadas pela comunidade.

Turismo sustentável em terras indígenas no Mato Grosso, BrasilPovos indígenas da TI Tirecatinga após a apresentação de seus cantos e danças tradicionais para a equipe da CSF e seus parceiros.

Após o evento, desenvolvemos um questionário on-line que foi enviado aos potenciais turistas e operadores de turismo. Usamos um modelo de experimento de escolha para criá-lo, que é um método de valoração econômica baseado na comparação de múltiplos cenários hipotéticos. Esta metodologia permite uma interpretação quantitativa da percepção sobre o tipo de atividades oferecidas e seus preços.

Depois de coletar os dados, os especialistas da CSF irão analisá-los e gerar os resultados estatísticos para chegar à algumas conclusões sobre o potencial do turismo na região. Por fim, organizaremos uma segunda oficina para apresentar e debater sobre estes resultados e os próximos passos visando fortalecer o desenvolvimento local para que os indígenas possam atender seus visitantes da melhor forma possível.

Para obter mais informações sobre nosso projeto, clique aqui.

Para ver a reportagem da Repórter Eco sobre a expedição do Rio Buriti no Mato Grosso, na qual a equipe da CSF participou, clique aqui.