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Melhores decisões no planejamento de hidrelétricas: lançamento do estudo de viabilidade econômica do projeto de construção da UHE Castanheira

É com grande prazer que a CSF-Brasil lança sua nova publicação "Análise Custo-Benefício da Construção da Usina Hidrelétrica Castanheira".

O rio Arinos, localizado na sub-bacia de Juruena - um importante afluente do rio Tapajós - no Mato Grosso, é conhecido por sua biodiversidade aquática. Atualmente, no entanto, existem mais de 100 usinas hidrelétricas (UHE) propostas para esta sub-bacia, que poderiam ameaçar a biodiversidade e a vida das comunidades locais. Uma destas é a UHE de Castanheira.

CSF Castanheira dam hidrelétrica
Rio Arinos no Mato Grosso. Crédito da fotografia: Michel de Andrade.

Neste contexto, realizamos uma análise custo-benefício financeira e abrangente desta barragem proposta, em parceria com o Instituto Centro de Vida (ICV), International Rivers e Operação Amazônia Nativa (OPAN).

Este estudo foi feito em três etapas. Primeiro, avaliamos a viabilidade financeira da usina e sua inserção na matriz energética brasileira. Em seguida, avaliamos os impactos econômicos, considerando três dos impactos socioambientais resultantes da construção da usina: (i) as emissões de gases de efeito estufa da UHE Castanheira; (ii) o custo de oportunidade da área alagada; e (iii) o impacto potencial sobre a atividade pesqueira. Finalmente, os dados provenientes das duas etapas foram combinados em uma análise custo-benefício da construção da UHE Castanheira, na qual os custos totais foram subtraídos dos benefícios totais para calcular o benefício líquido do projeto. Os dados utilizados neste estudo são de relatórios oficiais, uma pesquisa de campo e dados secundários.

CSF Castanheira dam hidrelétricaPedro Gasparinetti, Diretor da CSF-Brasil, apresentando os resultados de nosso estudo. Crédito da fotografia: Alex Ferreira.

Usando os dados oficiais e indicadores financeiros tradicionais, mostramos que a UHE geraria uma perda para o operador de aproximadamente US$ 81 milhões. Se incluímos os custos das emissões líquidas de gases de efeito estufa, as perdas econômicas de áreas produtivas inundadas e a diminuição das reservas de peixes a jusante, a perda potencial gerada por este projeto poderia aumentar para US$ 142 milhões. Assim, nossos resultados mostram que, se construída, a hidrelétrica não é financeiramente viável.

Recomendamos ao governo Brasileiro que as premissas financeiras utilizadas nos documentos oficiais sejam revistas, assim como a quantificação monetária dos impactos associados à essa usina. De forma mais generalizada, as análises realizadas neste estudo reforçam a necessidade de quantificar todos os impactos potenciais, além de calcular a viabilidade financeira (cujo resultado final depende do leilão). Mais importante, no entanto, é a existência de uma discussão aberta e transparente entre os diferentes setores da economia, incluindo formuladores de políticas e instituições da sociedade civil, sobre os benefícios potenciais e os efeitos adversos causados pelas barragens. Essa discussão também deve considerar os custos e benefícios de fontes alternativas de energia para que os trade-offs possam ser comparados corretamente.

CSF Castanheira dam hidrelétricaMesa dos palestrantes na reunião na Frente Parlamentar Ambientalista. Crédito da fotografia: Alex Ferreira.

Apresentamos nosso resultados no dia 28 de fevereiro de 2018 na Câmara dos Deputados em Brasília. Estiveram presentes representantes do congresso, de ONGs socioambientais - como da OPAN e The Nature Conservancy (TNC) entre outros - e lideranças locais para debater sobre a possível construção da UHE Castanheira.
Para ler o artigo sobre esse evento que foi publicado no site da Câmara dos Deputados, clique aqui.

Nossos resultados também serão apresentados em audiências públicas, visando influenciar a tomada de decisão em direção a alternativas energéticas mais eficientes e sustentáveis.

Clique aqui para baixar nossa publicação, aqui para baixar nosso Policy Brief e aqui para mais informações sobre nossos projeto.

Para ler a matéria sobre a UHE Castanheira escrita pela Andreia Fanzeres da OPAN, na qual há menção aos resultados de nosso estudo, clique aqui.